Friday, February 22, 2008

Poema do Dia


A VARINA


Lá na Ribeira Nova

onde nasce Lisboa inteira

na manhã de cada dia

há uma varina

e se não fosse ela

ai não sei

não sei que seria de mim!

Por ela

fiz dois versos a todas as varinas:

E vós varinas que sabeis a sal

e trazeis o mar no vosso avental!

Acho parecidos estes versos

com as varinas de Portugal.


Uma vez falei-lhe

para ouvi-la

e vê-la

ao pé.

A voz saborosa

os olhos de variar

castanhos de variar

castanhos-escuros de variar

com reflexos de variar

desde o rosa

até o verde

desde o verde

até o mar.


Num reflexo refleti:

não dar aquele destino

ao meu destino daqui.


- José de Almada Negreiros


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