Wednesday, February 27, 2008

Manifesto do Dia

Hino à Maldição

Pois bem, visto que sons doces e conhecidos me arrancaram ao horror das minhas sensações, oferecendo-me, com a imagem dos tempos mais alegres, as suaves impressões da minha infância, amaldiçôo tudo o que a alma rodeia de atractivos e prestígios, tudo o que, nestas tristes moradas, ela cobre de brilho e de mentira!

Maldita seja, em primeiro lugar, a alta opinião com que o espírito a si mesmo se embriaga!

Maldito seja o esplendor das aparências vãs que põem cerco aos nossos sentidos!

Maldito seja o que nos seduz nos sonhos, ilusões de glória e de imortalidade!

Malditos sejam todos os objectos cuja posse nos orgulha, mulher ou criança, criado ou charrua!

Maldita seja a Fortuna, quando, com o engodo dos seus tesouros, nos impele para empresas audaciosas, ou quando, para gozos ociosos, nos cerca de voluptuosos coxins!

Maldita seja toda a exaltação do amor!

Maldita seja a esperança!

Maldita a fé, e maldita, acima de tudo, a paciência!

- Johann Wolfgang von Göethe

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