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Tuesday, December 27, 2011

História do Ano



A CIGARRA E A FORMIGA

(Versões alemã e portuguesa)


Versão alemã:

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.


FIM

Versão portuguesa:

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.

A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de imprensa e pergunta porque é que a formiga tem o direito de estar quentinha e bem alimentada enquanto as pobres cigarras, que não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.

A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua frente.

A opinião pública tuga escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem bom. As associações anti-pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores que comentam a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social.

A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados e a ala esquerda do PS com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio implícito do Mário Soares organizam manifestações diante da casa da formiga.

Os funcionários públicos e os transportes decidem fazer uma greve de solidariedade de uma hora por dia (os transportes à hora de ponta) de duração ilimitada.

Fernando Rosas escreve um livro que demonstra as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.


Para responder às sondagens o Governo faz passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de anti descriminação (esta com efeitos retroactivos ao princípio do Verão).

Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultaneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra. A casa da formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos e a multa.

A formiga abandona Portugal e vai-se instalar na Suíça onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.

A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da formiga e a comer os bens que aquela teve de deixar para trás.


Embora a Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo das provisões todas organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista...".

A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se cagando para a sua conservação. Em vez disso queixa-se que o Governo não faz nada para manter a casa como deve de ser. É nomeada uma comissão de inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão (interpartidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano. Enquanto a comissão prepara a primeira reunião para daí a três meses, a cigarra morre de overdose.

Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.

A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a aterrorizar a vizinhança.

Ana Gomes, "um pouco" a despropósito, afirma que as carências da integração social se devem à compra dos submarinos, faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e os voos da CIA e aproveita para insultar Paulo Portas.

Entretanto o Governo felicita-se pela diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.

A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária...

FIM

- A. D.

Tuesday, March 2, 2010

Conto da Semana



O Amor e o Ódio

Um velho índio estava a falar com o seu neto e contava-lhe:
- Sinto-me como se tivesse dois lobos lutando no meu coração. Um é um lobo irritado, violento e vingativo. O outro está cheio de amor e compaixão.
O neto perguntou:
-Avô, diga-me, qual dos dois ganhará a luta no seu coração?
O avô repondeu:
- Aquele que eu alimente.

- A. D. (texto encontrado num saco de papel de uma loja chamada “Natura”, no centro comercial 8ª Avenida, São João da Madeira).

Saturday, October 17, 2009

Pensamento Comunicacional da Semana


Regra da Boa Gestão em Negócios:


Controla os Sistemas de Informação e Comunicações


Ilustração:

Um chefe da Máfia descobriu que o seu contabilista tinha desviado milhões de dólares do caixa.

O contabilista era surdo-mudo, por isso fora admitido, pois nada poderia ouvir e, em caso de um eventual processo, não poderia depor como testemunha.

Quando o chefe foi dar-lhe um aperto sobre os milhões em falta, levou a advogada, que sabia a linguagem de sinais dos surdos-mudos.

O chefe perguntou ao contabilista:

- Onde estão os 10 milhões que desapareceram?

A advogada, usando a linguagem dos sinais, transmitiu a pergunta ao contabilista, que logo respondeu (em sinais):

- Eu não sei do que é que vocês estão a falar.

A advogada traduziu para o chefe:

- Ele disse não saber do que se trata.

O mafioso sacou uma pistola e encostou-a testa do contabilista, gritando:

- Pergunte-lhe de novo.

A advogada, sinalizando, disse ao infeliz:

- Ele vai-te matar se não disseres onde está o dinheiro.

O contabilista sinalizou em resposta:

- OK, vocês venceram, o dinheiro está numa mala de couro, que está enterrada no quintal da casa do meu primo Eurico, no nº 400, da Rua 26, no bairro de Santa Luzia.

O mafioso perguntou advogada:

- O que é que ele disse?

A advogada respondeu:

- Ele disse que não tem medo de paneleiros e que você não tem tomates para puxar o gatilho.

--

- A. D.


Friday, October 9, 2009

Deus da Semana


Na Quinta Feira, dia 9 de Agosto de 2001, entre uma reunião e outra, um empresário aproveitou para ir fazer um lanche rápido numa pizaria da esquina das ruas Yafo e Mêlech George, no centro de Jerusalém.

O estabelecimento estava superlotado. Logo ao entrar na pizaria, Moshê percebeu que teria de esperar muito tempo numa enorme fila, se realmente desejasse comer alguma coisa - mas ele não dispunha de tanto tempo.

Indeciso e impaciente, pôs-se a ziguezaguear por perto do balcão de pedidos, esperando que alguma solução caísse do céu.

Percebendo a angústia do estrangeiro, um israelita propôs-lhe deixá-lo entrar à sua frente na fila. Mais do que agradecido, Moshê aceitou. Fez o seu pedido, comeu rapidamente e saiu em direção à sua próxima reunião.

Menos de dois minutos após ter saído, ouviu um estrondo aterrorizador. Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que acabara de percorrer o que acontecera. O jovem disse que um homem-bomba acabara de detonar uma bomba na pizzaria Sbarro's...

Moshê ficou branco. Por apenas dois minutos ele escapara do atentado. Imediatamente lembrou-se do israelita que lhe oferecera o lugar na fila.

Certamente ele ainda estava na pizaria.

Aquele sujeito salvara a sua vida e agora poderia estar morto.

Atemorizado, correu para o local do atentado para verificar se aquele homem necessitava de ajuda. Mas encontrou uma situação caótica no local.

A Jihad Islâmica enchera a bomba do suicida com milhares de pregos para aumentar o seu poder destrutivo. Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito pessoas morreram, sendo seis, crianças. Cerca de outras noventa pessoas ficaram feridas, algumas em estado crítico.

As cadeiras do restaurante estavam espalhadas pela calçada. Pessoas gritavam e acotovelavam-se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar de alguma forma.

Entre feridos e mortos estendidos pelo chão, vítimas ensanguentadas eram socorridas por policiais e voluntários.

Uma mulher com um bebé coberto de sangue implorava por ajuda.

Um dispositivo adicional já estava sendo desmontado pelo exército. Moshê procurou o seu 'salvador' entre as sirenes sem fim, mas não conseguiu encontrá-lo.

Ele decidiu que tentaria de todas as formas saber o que acontecera com o israelita que lhe salvara a vida. Moshê estava vivo por causa dele.

Precisava saber o que acontecera, se ele precisava de alguma ajuda e, acima de tudo, agradecer-lhe pela sua vida.

O sentido de gratidão fez com que se esquecesse da importante reunião que o aguardava.

Começou então a percorrer os hospitais da região, para onde tinham sido levados os feridos no atentado.

Finalmente encontrou o israelita num leito de um dos hospitais. Ele estava ferido, mas não corria risco de vida.

Moshê conversou com o filho daquele homem, que já estava a acompanhar o seu pai, e contou tudo o que acontecera. Disse que faria tudo que fosse preciso por ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe devia sua vida. Depois de alguns momentos, Moshê despediu-se do rapaz e deixou o seu cartão com ele. Caso o seu pai necessitasse de qualquer tipo de ajuda, o jovem não deveria hesitar em comunicá-lo.

Quase um mês depois, Moshê recebeu um telefonema daquele rapaz no seu escritório em Nova Iorque, contando que o seu pai precisava de uma operação de emergência.

Segundo especialistas, o melhor hospital para fazer aquela delicada cirurgia ficava em Boston, Massachussets.

Moshê não hesitou. Organizou tudo para que a cirurgia fosse realizada dentro de poucos dias. Além disso, fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar o seu novo amigo em Boston, que ficava a uma hora de avião de Nova Iorque.

Talvez outra pessoa não tivesse envidado tantos esforços pelo mero sentido de gratidão. Outra pessoa poderia ter dito "Afinal, ele não teve intenção de salvar a minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila..."

Mas não Moshê. Ele sentia-se profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E sabia como retribuir um favor.

Naquela manhã de Terça Feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar o seu amigo - e faltou ao trabalho. Sendo assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele fatídico dia 11 de Setembro de 2001, Moshê não estava no seu escritório no 101.º andar do World Trade Center (Twin Towers).

"Entrai pelas portas dele com gratidão e, em seus átrios, com louvor. Louvai-o e bendizei o seu nome."

- Salmo 100:4

(Palestra de Issocher Frand)

Tuesday, October 6, 2009

Conto da Semana


Tese de Doutoramento do coelho.

Era um dia lindo e ensolarado. O coelho saiu de sua toca com o notebook e pôs-se a trabalhar, bem concentrado.
Pouco depois passou por ali a raposa, e, viu aquele suculento coelhinho tão distraído, que chegou a salivar.
No entanto, ficou intrigada com a actividade do coelho e aproximou-se, curiosa:
- Coelhinho, o que está a fazer aí, tão concentrado?
- Estou a redigir a minha tese de doutoramento - disse o coelho, sem tirar os olhos do trabalho.
- Hummmm... e qual é o tema da sua tese?
- Ah, é uma teoria para provar que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais das raposas.
A raposa ficou indignada:
-Ora!!! Isso é ridículo!!! Nós é que somos os predadores dos coelhos!
- Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu mostro a minha prova experimental.
O coelho e a raposa entram na toca.
Poucos instantes depois ouvem-se alguns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois silêncio.
Em seguida, o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma os trabalhos de sua tese, como se nada tivesse acontecido.
Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho, tão distraído, agradece mentalmente à cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido.
No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho a trabalhar naquela concentração toda.
O lobo resolve então saber do que se trata, antes de devorar o coelhinho:
- Olá, jovem coelhinho! O que o faz trabalhar tão arduamente?
- Minha tese de doutoramento, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.
O lobo não se conteve e farfalha de risos com a petulância do coelho.
- Ah, ah, ah, ah!!! Coelhinho! Apetitoso coelhinho! Isso é um despropósito; nós os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa...
- Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova experimental. Você gostaria de acompanhar-me à minha toca?
O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desaparecem toca adentro.
Alguns instantes depois ouve-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e... silêncio.
Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível, e volta ao trabalho de redação da sua tese, como se nada tivesse acontecido.
Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensanguentados e peles de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos.

Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme leão, satisfeito, bem alimentado, a palitar os dentes.

Moral da história:

1. Não importa quão absurdo é o tema da sua tese;
2. Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico;
3. Não importa se as suas experiências nunca cheguem a provar sua teoria;
4. Não importa nem mesmo se suas ideias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos.

5. O que importa é QUEM É O SEU PADRINHO...

- A. D.

Thursday, May 21, 2009

Slogan do Dia

 
Marca que não dá assistência... abre espaço à concorrência.
 
Conto demonstrativo:
 
O marido está em casa a ver um jogo de futebol, quando a mulher sai e volta logo a seguir, dizendo-lhe: 
 
- Querido, podes arranjar o meu carro? Ele parou de funcionar assim que saiu da garagem... 
 
- Consertar o teu carro? Estás a ver 'FIAT' escrito na minha testa? 
 
A mulher volta à carga: 
 
- Então podes arranjar a porta do frigorífico? Ela não está a fechar bem...
 
- Arranjar a porta do frigorífico? Estás a ver 'SIEMENS' escrito na minha testa? 
 
- Está bem - diz ela - Então podes pelo menos trocar a lâmpada da porta da frente? Ela está queimada há semanas. 
 
E o marido: 

- Trocar a lâmpada da porta da frente? Estás a ver 'PHILIPPS' escrito na minha testa? Eu não te aguento mais! Vou para o bar beber umas cervejas! 
 
Assim fez e bebe durante algumas horas. Entretanto, começa a sentir-se culpado pela forma como tratara a mulher, até que decide voltar para casa e ajudá-la. Ao chegar a casa vê que o carro já está na garagem e a luz da porta de entrada já funcionava. Dirige-se ao frigorífico em busca de uma cerveja e percebe que a porta do mesmo também tinha sido arranjada.

- Querida - pergunta ele - como é que todas estas coisas já estão arranjadas? 

Responde ela:
  
- Bem, quando tu saíste, eu sentei-me lá fora a chorar. Então, apareceu um jovem muito simpático, que me perguntou o que é que me tinha acontecido e eu contei-lhe. Ele ofereceu-se para arranjar tudo, e eu só tinha que escolher entre ir para a cama com ele ou fazer-lhe um bolo. 

- Então, que tipo de bolo é que lhe fizeste, meu amor? 

- Helloooooooo! Tu estás a ver 'DANCAKE' escrito na minha testa?
 
-A. D.
 

Tuesday, May 19, 2009

Conto do Dia


Explicação Magistral da Crise Financeira (e do longo percurso para a sua solução):

Numa pequena vila e estância balnear na costa sul de França chove e nada de especial acontece.

A crise sente-se.

Toda a gente está carregada de dívidas e deve a toda a gente.

Subitamente, um rico turista russo chega ao foyer do pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de 100 Euros sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar.

O dono do hotel pega na nota de 100 Euros e corre ao fornecedor de carne a quem deve 100 Euros, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar 100 Euros que lhe devia há algum tempo. Este, por sua vez, corre ao criador de gado que lhe vendera os leitões e este por sua vez corre a entregar os 100 Euros a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os 100 Euros e corre ao hotel a quem devia 100 Euros pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes.

Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos 100 Euros. Recebe o dinheiro e sai.

Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescentado.

Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e estes elementos da pequena vila costeira encaram agora com optimismo o futuro.
 
- A. D.
 

Wednesday, April 15, 2009

Conto do Dia

 
PEDIDO DE CRIANÇA
 
Uma professora do ensino básico pediu aos alunos que fizessem uma redacção sobre o que gostariam que Deus fizesse por eles.

Ao fim da tarde, quando corrigia as redacções, leu uma que a deixou muito emocionada. O marido, que nesse momento acabava de entrar, viu-a a chorar e perguntou:
 
- O que é que aconteceu?
 
- Lê isto - respondeu.
 
Era a redacção de um aluno:

---------- 
Senhor, vou-te pedir uma coisa muito especial: transforma-me num televisor.
 
Queria ser como a TV da minha casa. Ter um lugar especial para mim e reunir a família à minha volta. Ser levado a sério quando falo. Ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas.
 
E depois receber aquele cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega a casa, mesmo quando está cansado. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar.
 
E ainda, que os meus irmãos lutem e batam para estar comigo. 
 
Queria sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo. E faz com que eu possa diverti-los a todos.
 
Senhor, não te peço muito... Só quero viver o que vive qualquer televisor.
----------
 
Naquele momento, o marido da professora disse:
 
- Meu Deus, coitado deste miúdo! Que pais!
 
E ela olhou-o e respondeu:
 
- Essa redacção é do nosso filho.
 
- A. D.
 

Monday, January 5, 2009

Conto do Dia


O Lobo e o Tigre

Um lobinho, perdido na selva, vê um tigre a correr na sua direcção.
Pensando rapidamente, repara nuns ossos caídos no chão e desata a roê-los.
No momento em que o tigre se prepara para atacá-lo, o lobo diz, com um ar feroz e bem alto:
- Ah, que delícia, este tigre que acabo de comer!
O tigre pára bruscamente. Desconfiado, como todos os tigres, resolve afastar-se, pensando:
- Que lobo terrível! Por pouco não me comia também!
Um macaco, que via esta cena, irritado com a astúcia do lobo, corre atrás do tigre e conta-lhe como ele foi enganado.
O tigre, furioso, rosna:
- Que lobo maldito! Vai pagar das boas!
O lobinho vê que ao longe o tigre regressa para o atacar e desta vez traz o macaco montado nas suas costas.
- Ah, macaco traidor! Que hei-de fazer? - pensa o lobito.
Em vez de fugir, resolve ficar de costas, fingindo que não estava a ver nada.
Quando o tigre se prepara para saltar de novo, o lobo eriça os pelos das costas, tornando-se o maior possível e resmunga:
- Que macaco preguiçoso! Já passou meia hora desde que o mandei trazer-me outro tigre e ainda não voltou!

- A. D.

(versão ligeiramente diferente da do e-mail gentilmente enviado por Célia Reis, a quem aproveito para desejar um Grande Ano)

Tuesday, December 2, 2008

Humor Machista e Provocatório do Dia


A VERDADEIRA AMIZADE FEMININA

Sofia ia a sair do cabeleireiro e encontrou a Carla na rua:

- Olá, Sofia!!! Cortaste o cabelo?
- Cortei, que achas?
- Estás muito gira, estás 10 anos mais nova. Essas madeixas ficam-te muito bem, está mesmo muito giro, vou fazer umas iguais!
- Ó Carla, é impressão minha ou estás mais magra?
- Sabes, fiz uma pequena dieta agora para o verão...

(meia hora de conversa depois...)

- Olha Sofia, querida, tenho de ir, adoro-te! Beijinhos e dá cumprimentos ao teu namorado!
- Carla, gostei de te ver, beijinhos...

Carla sai pensando: .. Como esta gaja ficou ridícula com aquele corte de cabelo! Será que ela não se vê ao espelho?

Sofia sai pensando: .. Esta Carla está cada vez mais gorda! Deve estar a morrer de inveja do meu penteado. Ainda quer fazer um igual ? Ela que pense em emagrecer primeiro!

A VERDADEIRA AMIZADE MASCULINA

O Luís ia a sair do barbeiro e encontra-se com o Pedro:

- Então Luis, seu paneleiro! Como é? Foste à tosquia?
- Não meu chulo... Fui só cortar as patilhas!
- Foda-se, que merda de corte foste fazer? Pareces um rabeta. Acho que andas a levar com ele!...
- É... Mas a tua namorada gosta!
- Vá porta-te!...ah, manda um beijo p`ra boazona da tua irmã,ok?
- Vai-te foder, cornudo! Não tens pica para ela! Vá, porta-te!

Pedro sai pensando: .. Este gajo pah... Cinco estrelas!

Luis sai pensando: ... Este caralho não muda.... é um bacano!

- A. D.

Tuesday, September 16, 2008

Conto do Dia


A Multidão

- Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti! – Gritei - Ora o que se passa, meus amigos? Passa-se que alguém ignorou este importante regulamento! – (um murmúrio de concordância fez-se ouvir) – Tenho de velar, por que ele seja cumprido. Aquando da sua promulgação, não se julgava que houvesse tal via de lhe desobedecer... - (pausa) – Estou tomado de grande agitação. Sei que é terrível, mas a situação não tem outro remédio… Isto implica um castigo exemplar, meus senhores. Só punindo a prevaricação se combate a desobediência! É preciso disciplina!

- Disciplina, disciplina! – Ululou a multidão.

- É preciso justiça!

- Justiça, justiça! – Berrava a turba.

(Ali, como uns leões!...)

O meu companheiro de tribuna não parecia convencido, a sua cara é um barómetro permanente do seu estado de espírito. Chegou mesmo a resmungar qualquer coisa ininteligível, mas o gigante olhou para ele, ameaçador. Após aquela troca de olhares tempestuosos, com medo de perder a oportunidade, ele levantou-se, dominando com a sua estatura todo aquele maralhal. A queixada beligerante moveu-se e a sua voz soou carregada de agressividade.

- Vamos a ele, vamos a ele! – E começou a correr em direcção ao espavorido réu, logo seguido pelo povo!

Um estarrecedor som de cabeça a ser esmagada por um tronco de árvore fez-se ouvir. Tudo estava consumado. Enquanto o povo cortava o corpo aos bocados com foices, virei-me para o meu amigo com um olhar interrogador. Voltou-se lentamente, fez um esforço e dominou-se.

- Vencido, mas não convencido – disse, já mais calmo.

- Vá, sejamos alegres, para afastar os cancros

(…)

- C@nd.

Friday, August 1, 2008

Anedota do Dia

O Charlatão

- Há já vinte anos que vendo destes comprimidos e não tive uma única reclamação! Ora o que é que isto prova, meus senhores? – grita um charlatão para a plateia. Responde-lhe uma voz da multidão:
- Que os mortos não falam.

- A. D.

Monday, July 28, 2008

Trecho Incógnito do Dia


Doce



- Queria esse doce, não sei o nome…
- Uma tulipa, minha senhora… - respondeu o empregado, enquanto sorria.
- Ah, agora também já chamam nomes às tulipas…
(…)
Então ela sentou-se, suficientemente próxima para que eu pudesse respirar o agradável perfume que a envolvia…Tentou imprimir à voz o adequado tom de desculpa:
- Permita-me que lhe agradeça o tempo que me dispensou – disse, olhando especulativamente para a mão que eu tinha beijado.
A perspectiva de um novo encontro com ela não me atraía mesmo nada… Tinha todo o ar de se ter iludido, como é habitual entre as mulheres, na ideia de uma sugestão de engate, pelo que se esforçava para enviar sinais de que a resposta poderia ser sim…


- A. D.

Wednesday, July 23, 2008

Momento do Dia


Diálogo de um Casal de Velhotes


- Vá!... Caladinha! Caladinha! (Um tiro pelo cú acima e cala-se logo...)

- Terei que o comprar ou o Manuel vai ao vinho?

- Não te aflijas! O merceeiro manda cá o que eu quiser. Se vais é porque queres!...

- Então manda!... Manda vir tudo!... Já não tenho idade para isto...

- Vai-te embora, “home”! Se queres, vai, já estás a demorar muito!

(Pausa. Estrondo da porta que dá para a rua, a fechar-se.)

- Fica a limpar a geladeira até que horas, fica esgotado, torna-se impossível! Chiça! (...)

- A. D.

Tuesday, July 8, 2008

Moral da História do Dia


O Cavalo e o Porco


Um fazendeiro coleccionava cavalos e só lhe faltava uma determinada raça. Um dia descobriu que o seu vizinho tinha um exemplar da mesma..

Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo.

Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário, que explicou:


- Bom, o seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu voltarei e, caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.


Durante este período, o porco manteve-se a escutar toda a conversa.


No dia seguinte o fazendeiro lá deu ao cavalo o medicamento prescrito.
Quando se foi embora, o porco aproximou-se do cavalo e disse:

- Força amigo! Levanta-tge daí, senão serás sacrificado!!!

No segundo dia, voltaram a dar o medicamento e foram embora.
O porco aproximou-se do cavalo e disse:

- Vamos lá amigão, levanta-te, senão vais morrer! Vamos lá, eu ajudo-te a levantar... Um, dois, três, Upa!

No terceiro dia repetiram o medicamento e o veterinário disse:

- Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os seus outros cavalos. Quando foram embora, o porco aproximou-se do cavalo e disse:

- Caríssimo, é agora ou nunca, levanta-te já! Coragem! Upa! Isso, devagar! Óptimo, vamos, um, dois, três, fixe, fixe, agora mais depressa, vá.. Fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa!!! Venceste, Campeão!!!

Então de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou:

- Milagre!!! O cavalo melhorou. Isso merece uma festa... Vamos matar o porco!

Pontos de Reflexão:

  • Isto acontece com frequência no ambiente de trabalho.
  • Ninguém percebe quem é o funcionário que tem o mérito pelo sucesso.
  • Saber viver sem ser reconhecido é uma arte.
  • Se algum dia alguém te disser que o teu trabalho não é o de um profissional, lembra-te: Amadores, foram os que construíram a Arca de Noé, profissionais, o Titanic.
  • Procura ser uma pessoa de valor, em vez de uma pessoa de sucesso.

- Helmit Mutsack


Friday, July 4, 2008

Moral da História do Dia

Avaliação de Desempenho

O dono de um talho é surpreendido pela entrada de um cão dentro da loja.
Enxota-o mas o cão volta a entrar. Volta a enxotá-lo e repara que o cão traz um bilhete na boca. Apanha o bilhete e lê: 'Manda-me 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor?' Também repara que o cão tem na boca uma nota de 50 euros. Avia o cão e põe-lhe o saco de compras na boca.
Impressionado, como estava para fechar, resolve seguir o cão.

O cão desce a rua, chega aos semáforos e com um salto carrega no botão para ligar o sinal verde. Aguarda a mudança de cor do sinal, atravessa a rua e dirige-se à paragem dos autocarros. O talhante está perplexo! Na paragem, o cão observa o painel dos horários e senta-se no banco, aguardando o autocarro.

Chega um autocarro, o cão vai à sua frente verificar o número e volta a sentar-se no banco.
Chega outro autocarro e, verificando que é aquele o número certo, entra. O talhante, de boca aberta, também entra para seguir o cão..
Algumas paragens depois, o cão fica em pé nas patas traseiras e carrega no botão de stop, para mandar parar o autocarro e sempre com as compras na boca.
O talhante e o cão caminham pela rua, quando o cão para à porta de uma casa e põe as compras no passeio. Vira-se um pouco, corre e atira-se contra a porta. Repete o acto mas ninguém lhe abre a porta. Contorna a casa, salta um muro e, numa janela, começa a bater com a cabeça no vidro várias vezes, retornando para a porta. De repente, aparece um tipo enorme a abrir a porta e começa a bater no cão. O talhante corre até ao homem, tenta-o impedir de bater mais no cão e diz-lhe bastante indignado:
- Óh homem, o que é que está a fazer? O seu cão é um génio!
O homem responde:
- Um génio? Já é a segunda vez esta semana que o estúpido do cão se esquece da chave!

(…)


Moral da história:


Podes continuar a exceder as expectativas, que a tua avaliação dependerá sempre da competência de quem te avalia!


- A. D.

Tuesday, July 1, 2008

Momento Cómico do Dia

Professora com tomates!

(Só no PORTO, carago!)

História verídica ocorrida numa Faculdade da Universidade do Porto:

Uma professora universitária acabava de dar as últimas orientações aos alunos acerca do exame que ocorreria no dia seguinte.

Finalizou alertando que não haveria desculpas para a falta de nenhum aluno, com excepção de um grave ferimento, doença ou a morte de algum parente próximo.

Um engraçadinho que estava sentado no fundo da sala, perguntou com aquele velho ar de cinismo:

- De entre esses motivos justificados, podemos incluir o de extremo cansaço por actividade sexual?

A classe explodiu em gargalhadas, com a professora a aguardar pacientemente que o silêncio fosse estabelecido. Assim que isso aconteceu, ela olhou para o palhaço.

-
Isso não é um motivo justificado - retorquiu, continuando serenamente - como o exame será de escolha múltipla, você pode vir para a sala e escrever com a outra mão... ou se não se puder sentar, pode responder de pé.

- A. D.

Monday, June 2, 2008

Conto Pedagógico do Dia


Prioridades


Com uma voz tímida e com os olhos admirados, o pequeno rapaz pergunta ao seu pai que chegou do trabalho:

- Papá, quanto ganhas tu à hora?

Muito surpreso, o pai atira um olhar ao seu filho e responde:

- Ouve, meu filho, nem a tua mãe, se calhar, sabe. Deixa-me um pouco tranquilo. Tive um dia esgotante, estou cansado.

- Anda, Papá, diz-me. Quanto ganhas tu numa hora de trabalho?

Finalmente, o pai responde duramente:

- Cerca de 40 Euros à hora, os nossos amigos americanos diriam 50 dólares.

- Papá, podes emprestar-me 20 Euros? - pergunta a criança.

Mostrando a sua fadiga e o seu nervoso, o pai zanga-se:

- Era por isso que querias saber quanto ganho à hora? Para te emprestar dinheiro! Anda, vai dormir e pára de me enervar!

À noite, o pai repensou no que tinha dito ao seu filho. Será que ele queria comprar qualquer coisa de importante para ele, ou para dar um presente à mãe? (...) Para estar em paz com a sua consciência, ele vai ao quarto do seu filho.

- Já dormes, filho?

- Não papá, porquê?

- Tens aqui o dinheiro que me pediste - diz o pai.

- Obrigado, oh obrigado papá! - O rapaz põe a sua mão debaixo da almofada e tira 20 Euros. - Agora, já tenho o dinheiro suficiente! Agora tenho 40 Euros!!!

O pai olha para o filho, admirado, e não compreende a sua alegria.

- Papá, podes vender-me uma hora do teu tempo?

- A. D.

Wednesday, October 17, 2007

Conto do Dia

Tudo é esburacado como a memória da gente. A estrada tem poças de água enluaradas como buracos aquáticos. E os homens passam, vestidos de sacos velhos com buracos enormes, por onde enfiam as cabeças negras e patéticas. A noite cai rapidamente, vertical, e é fria e e cheia de buracos, como se fosse um imenso coador de bronze que triturasse os homens e os diluísse, num espesso puré de miséria e desespero. São milhares, aguardando a morte. E, com raiva, com fúria, fabricam filhos, filhos e mais filhos. Para que o coador não pare, para que a noite os engula, para que os sacos sigam, de geração em geração, de cabeça em cabeça, para que a indústria de cadáveres progrida – é preciso ter consciência profissional, que diabo – e que outros corpos de ébano, esqueléticos e tiritantes, deambulem nas ruas das cidades paupérrimas, que têm banquetes nas casas bem, cascatas de falências, montanhas de cheques sem provisão, tudo buracos, implacáveis buracos.


– Sidónio Muralha

Wednesday, October 10, 2007

Pensamento do Dia

Os dois eram jovens e formosos e, ainda que inconscientes, dir-se-ia que lhes cabia a culpa disso. Cabeças como as deles requeriam um cadafalso ou um trono. Estavam condenados de antemão e não o sabiam. Ignoravam que o preço da beleza é terrível, que o mundo não perdoa os privilegiados. – Juan Goytisolo