Thursday, March 19, 2009

Poema do Dia

 
Só.
Os outros estão ali, animados,
A rir-se de vez em quando e,
Enfim, animados.
 
Parece que se respira um ar muito puro
E muito fresco.
Os miúdos das mães correm de um lado para o outro
Em castelos de sonhos e ilusão,
Sabe-se lá pensando em quê.
O ruído das motorizadas
Parece não conseguir nem querer quebrar
Tão belo encantamento.
Vegeta-se por certas mesas, estuda-se noutras.
O ambiente sente-se muito, muito acolhedor.
O sol parece desejar entrar pelo envidraçado,
Embora brilhe lá fora como que esquecido de todos
(Ele quer entrar, ansioso,
Pois se calhar não tem nada que iluminar, lá fora).
 
A cidade agita-se, lentamente,
Envolvida pela atmosfera de frio que se vai criando.
Nós cá dentro, no quentinho,
Parecemos mesmo acordados.
Já não estou sozinho.
As pessoas conversam e dizem.
Tem interesse o que dizem, porque dizem.
Elas olham, vendo, e eu não resisto.
Abandono os livros.
Vou ter com elas.
 
- C@nd., 29 de Janeiro de 1981.
 
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